Olhos escuros como a noite, que pouco me revelam, deixam minha alma inquieta, sem saber onde pisa.
Minha sanidade escapa por meus dedos como um punhado de areia escorre pelas mãos. A cada toque suave e ao mesmo tempo intenso me perco um pouco mais, a cada olhar desvio do caminho de volta, a cada beijo me prendo e me perco nesse doce labirinto.
Olhando para o céu negro com pequenos pontos cintilantes, começo a me perguntar como pude fazer isso, como algo assim poderia ter acontecido. Estava agora dentro de um labirinto com paredes enormes, estreitas feitas de uma pedra fria, e não conseguia mais sair dele, estava totalmente perdida, quanto mais lutava para escapar mais adentrava nele, foi quando depois de um tempo cheguei a uma parte do labirinto onde suas paredes estreitas deram lugar a um campo aberto, e no meio desse campo havia uma fonte, era a fonte do meu ser, a fonte de minha alma, e nela transbordava seu cheiro, sua voz, seu olhar. Acordo de meus pensamentos e volto a olhar o céu assustada com o que tinha acabado de ver, aos poucos meus olhos voltam e volto a ver a noite, é quando vejo que a noite me lembra seu olhar.
O medo corre minha espinha, algo quente percorre meu rosto, e me pego rindo sozinha,rindo alto no meio da madruga, e sorria e como sorria.
Foi quando percebi, que aquilo que tanto me da medo, é o que me faz sentir viva, que faz meus dias melhores, que me faz acordar e sentir que o hoje é um dia especial, independente do que acontecer, independente do depois, o agora me faz bem.